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Maus programadores que amedrontam os clientes

Atenção: o mercado web reúne muitas empresas e desenvolvedores de altíssimo nível. Mas também está repleto de maus profissionais. Há o mau técnico e também o mau caráter. Saiba como identificá-los e... fuja deles!

Publicado por Marcos Buarque de Hollanda em 01/junho/2010 23:57

É impressionante o número de vezes que a SPEL é chamada para corrigir erros ou problemas deliberadamente causados por maus programadores. Neste caso, não estou me referindo propriamente à qualidade do trabalho desenvolvido por essas pessoas. Eu me refiro mesmo ao seu (mau) caráter.

Maus programadores fazem coisas terríveis, como sequestrar websites e fixar valores para resgate. Você acha que isso não existe? Bem, existe, e acontece muito mais vezes do que os clientes podem imaginar antes de entregar de boa fé as suas senhas de acesso aos programadores. Como eu já vi muita coisa acontecendo, aqui vai um pouco da minha experiência. Atenção e olho vivo. Mais adiante, vou me concentrar sobre os cuidados que você deve ter para não cair em uma arapuca.

O pior caso que eu acompanhei foi o de uma empresa que pediu o meu auxílio para desenvolver às pressas um novo website porque o site oficial tinha sido seqüestrado pelo programador anterior. Depois de meses de desenvolvimento, o programador disse que o cliente só tornaria a ter controle sobre o seu website se pagasse um valor arbitrário que ele havia fixado. Ele tinha a faca e o queijo na mão. Ingenuamente, a empresa confiou ao programador todo o processo: desde o registro do domínio até o desenvolvimento do projeto, passando pela administração do painel de controle junto ao provedor de hospedagem.

O mais curioso é que o cliente estava em Nova Iorque, e havia contratado um profissional da Letônia para desenvolver seu projeto. Foi esse profissional (se é que posso chamá-lo assim) que sequestou o projeto e pediu resgate. Atenção: eu não tenho nada contra a Letônia. O problema é que quem contratou o profissional letão provavelmente não tinha nenhuma boa referência dessa pessoa; na web pululam sites de contratação de mão de obra, como getafreelancer.com. Atenção 2: nada contra esses serviços, mas é preciso saber usá-los e ter sempre um pezinho atrás. Como diz aquele ditado de avó: cuidado e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Com uma campanha offline de publicidade pronta, um investimento da ordem de US$ 1,5 milhão, esse cliente tinha confiado a principal parte de seu projeto a uma pessoa sobre quem não tinha referência. Pior: a campanha estava pronta para ir para a rua, com todo o material impresso. Na véspera, a empresa percebeu que não tinha como recuperar o domínio que estava gravado nas peças de publicidade porque o mesmo tinha sido registrado como propriedade do programador-sequestrador.

Bem, há muitos outros casos, todos com menor impacto financeiro, mas que certamente significaram uma boa dose de dor de cabeça para quem esteve envolvido. No centro dos problemas geralmente estão programadores/webmasters sem nenhuma noção de profissionalismo e de relacionamento com o cliente. Muitas empresas prometem entregar o céu, mas não têm expertise para realizar o desenvolvimento mais básico. Geralmente, o cliente só fica sabendo da verdade quando todos os prazos estão estourados.

Por isso, é importante estar atento antes de contratar uma empresa ou profissional:

  • Cheque as referências da pessoa que você está contratando. O velho boca a boca ganhou na web um poderosíssimo aliado. Todas as referências dos trabalhos do seu potencial fornecedor estão lá. Portanto, visite. Consulte os clientes e ex-clientes, pergunte sobre a qualidade do trabalho. Se outras pessoas tiveram problemas com esse fornecedor, provavelmente haverá referências por escrito na web. Pesquise.
  • Não entregue todas as suas senhas imediatamente. Prefira fazer o tipo de verificação indicada tópico anterior antes de entregar as senhas. Mesmo assim, tente conceder sempre o menor acesso possível, apenas o que for necessário para configurar o website. Não entregue senhas de super usuários dos seus sistemas de gestão de conteúdo (CMS). Se o programador quiser mudar as senhas e te “chutar” para fora do seu próprio projeto, ele poderá fazer isso. Depois, será impossível recuperar o acesso, já que todos os sistemas de banco de dados sérios guardam senhas criptografadas.
  • Jamais entregue ao programador/fornecedor processos chave da sua atividade. Jamais peça para o programador registrar o domínio da sua empresa na web. É muito fácil registrar o seu domínio aqui. Portanto, não terceirize essa etapa. É o mesmo conselho que se dá para quem precisa pagar os impostos da empresa: não entregue essa parte ao contador: faça dentro de casa.
  • Mantenha sempre backups atualizados, regulares e disponíveis dos seus projetos (sim, isso mesmo, no seu HD ou em algum repositório na nuvem). Em caso de desastre na opção acima, detone o seu projeto e recomece do backup mais recente.
  • Se o preço do serviço parecer muito baixo, é porque é baixo mesmo. Fuja.

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